Ao ler o artigo "Common mistakes universities make with social media" gostei especialmente do ponto 3 "Social media stops being social media the very moment it becomes teacher-led and closed". Concordo com este argumento e este é um dos motivos pelo qual nunca senti grande atracção pelo Ning, grupos no Facebook e outros serviços mais recentes como o grou.ps.
A nível pessoal esta é uma reflexão importante com impacto directo na conceptualização e desenvolvimento do SAPO Campus. De seguida tento explicar porquê...
Desde o início do SAPO Campus que tenho recebido muitas opiniões, especialmente por parte de docentes, sobre a necessidade de introduzir na plataforma mecanismos de criação de grupos que, essencialmente, permitam construir (conduzir?) uma comunidade de forma fechada. Alguns dos argumentos apresentados são obviamente válidos. Por exemplo, um desses caso dizia respeito a um trabalho académico que os alunos estavam a desenvolver com o objectivo de participar num concurso que não permitia a publicação prévia de qualquer imagem na Web (por acaso os alunos acabaram por publicar os trabalhos no SAPO Campus e não tiveram qualquer problema... mas o argumento continua a ser válido).
No entanto, apesar de existirem alguns casos (poucos, digo eu) que necessitem desses mecanismos de grupos fechados, será o argumento suficiente para justificar a sua introdução numa plataforma com as características do SAPO Campus? Se sim, qual será a reacção da maioria dos docentes perante uma opção desse tipo?
Estando dentro do ambiente universitário não tenho dúvidas que a maioria dos docentes optaria por fechar imediatamente o "seu" espaço e convidar apenas os "seus" alunos. Seguramente que esse seria um modelo mais aproximado do que a maioria conhece actualmente, o que implicaria um sentimento de maior conforto e segurança. Mesmo assim, será verdade que esse seria um compromisso "menor" que permitiria trazer para este novo paradigma (social media) mais docentes que, mais tarde, vão acabar por progressivamente mudar os seus hábitos? Tenho muitas dúvidas que assim seja para a maioria...
Tenho a ambição de olhar para o SAPO Campus como um potencial elemento de inovação disruptiva no ensino superior e, por esse motivo, tenho preferido não mostrar disponibilidade para assumir esse tipo de compromisso que, numa visão básica, pode ser colocado entre conceitos base por troca de um maior número inicial de utilizadores. Na realidade considero que as sugestões referidas anteriormente implicam mudar o enquadramento do SAPO Campus para um modelo de inovação incremental que, como o Prof. António Dias de Figueiredo apresentou na keynote "Innovation in Education, Education for Innovation", tem tido pouca margem de sucesso nos sistemas de ensino.
Na minha opinião vale a pena arriscar e continuar a ser inflexível neste aspecto. Será esse o caminho mais rápido para atingir o objectivo da "Open and Social University"?