Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
Hoje terminei o lançamento da pauta final de LabMM 3 de NTC. O trabalho destes últimos dias tem sido impressionante e considero urgente reflectir sobre o processo de avaliação que temos adoptado para estas disciplinas.
Como exercício informal, resolvi contar o número de itens pelo qual cada aluno foi avaliado. Foi uma contagem cega, sem ponderar a importância relativa de cada parâmetro. O único critério é tratar-se de um item ao qual foi atribuído uma avaliação. Esses itens vão desde uma resposta a uma questão de escolha múltipla até uma avaliação global da participação do aluno nas aulas práticas.
Aqui ficam os números obtidos para cada parâmetro que consta no guião da disciplina:
- Mini-teste teórico 1 - 15
- Mini-teste teórico 2 - 15
- Mini-teste prático 1 - 15
- Mini-teste prático 2 - 22
- Mini-teste prático 3 - 25
- Avaliação contínua (aulas práticas) - 22
- Memória descritiva de projecto - 2
- Documentação de planificação de projecto - 3
- Relatório de projecto - 18
- Projecto - 10
- Auto e hetero-avaliação - 3
A soma dá 150 itens, sendo que, em média, cada item pode contribuir com uns "míseros" 0,1333 valores para a nota do aluno.
Contando que são mais de 100 alunos e cerca de 80 frequentaram a disciplina até ao final... é fazer as contas ao total de itens avaliados!
Algumas questões com que me debato actualmente e para o qual agradeço todos os contributos:
- Este tipo de avaliação "micro" conduz realmente a uma avaliação mais justa e correspondente aos conhecimentos adquidos pelos alunos?
- Ao perder o poder de realizar uma avaliação mais "macro" o professor sente-se mais seguro por não ter que assumir tão directamente o seu papel de avaliador? Se sim, será essa uma atitude correcta?
- Será uma inevitabilidade optar por este tipo de solução quando temos esta quantidade de alunos?
Não tenho respostas mas, para a disciplina que vai começar no próximo semestre, estou decidido a cortar significativamente no número de itens.
Eu também já me debati com estas questões. É certo que há uma certa rede de segurança numa avaliação micro: assisti, com espanto, diga-se, à criação, ainda no ano passado, numa Escola Secundária, de uma tabela em Excel avançado, precisamente para incluir as centenas de itens e ponderações da avaliação de alunos do 7.º ao 12.º anos, e o objetivo era criar essa rede de segurança.
Por outro lado, sinto a necessidade de trabalhar a um nível macro, para perceber a floresta e não ficar pelo detalhe da árvore...
Uma possível solução pode passar por criar formas de avaliação que sejam repartidas or alunos e professor. Trazer para a avaliação global a autoavaliação e a avaliação por pares, pode ajudar a diminuir o peso do professor no processo. Tive essa experiência no PDME e a experiência parece ter resultado. Claro que há algum risco, mas a verdade é que é necessário alargar as participações para repartir esse esforço.
Depois, outra das soluções terá necessariamente de passar por usar uma avaliação de projetos (aí, estamos a avaliar a nível macro, mas consegue-se descer a níveis mais finos e avaliar o processo de desenvolvimento).
O difícil mesmo é definir um set de descritores de desempenho que sejam claros e obrigatórios para um projeto mais elaborado.
Não sei se ajudei... ou se compliquei... 
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